Apoiada em sonhos, Keyd conta como se prepara para ter um time campeão do CBLoL

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Quando a Keyd anunciou a compra do passe de Gabriel “Revolta” Henud e Felipe “yang”Zhao, após passar três meses na Coreia do Sul em um intenso treinamento (ou bootcamp), muitos pararam para observar a equipe que estava sendo observada e que, ali naquele momento, tinha um time bom o suficiente para vencer o CBLoL. Mas não foi isso o que se mostrou no início da competição. O time demorou para engrenar, mas foi melhorando conforme passaram as semanas até que conseguiu se classificar para as semifinais.

Essa é a primeira vez que a Keyd quase ficou de fora da fase de mata-mata. O time criado em 2012 é um dos mais tradicionais do cenário de League of Legends, mas começou bem antes disso, na época de StarCraft II, e já teve gente importante do Counter-Strikeusando sua camisa – além de revelar nomes bacanas dos esports.

É um time criado na base de um sonho de André Pontes e Eduardo Kim, o de ser “referência mundial no esport e não apenas na América Latina”. Mas antes de chegar a esse ponto, a Keyd teve uma história curiosa – como quase uma organizadora de campeonatos.

“A gente começou com StarCraft II. Eu já jogava StarCraft e, com o lançamento do game, queríamos fazer campeonatos com premiação em dinheiro e, mesmo sendo pouca coisa, era isso o que a gente queria”, relembra Edu. “Aí de repente pensamos ‘por que a gente não faz um time e deixa de fazer campeonatos?’ e foi assim que criamos o IMBA para um time [de Counter-Strike], e só depois que mudamos o nome para Keyd“.

Naquela época, a Keyd nem pensava em League of Legends, mas o cenário nacional dos eSports já voltava a respirar e LoL começava a chamar atenção. “No primeiro grande campeonato brasileiro, que rolou na BGS [2012], eu tinha ido lá para encontrar e formar um time de LoL, pois sabíamos que era um cenário que estava crescendo. Eu tinha ido lá ver uma line-up para contratar e eu já tinha um time em mente, a Influxo, que era um time Top 5, porque a gente queria começar pequeno”, conta Edu.

André e Edu – os donos da Keyd se conhecem desde os tempos do colégio

“Já tínhamos ouvido falar da VTi e que eles já tinham até contrato e tal – coisa rara no mercado. Mas logo após o campeonato, a VTi Ignis e a Nox se desfizeram e formaram a equipe Me Salva Bátima. E foi justamente com eles que formamos o primeiro time da Keyd“, conta Edu.

A primeira formação da Keyd foi revelada em janeiro de 2013 com Matheus “Mylon”Borges no topo, Diogo “Volcan” Neves na selva, Guilherme “Snowlz” Neves, no meio, Rafael “Rafes” Peres, atirador e Caio “Loop” Almeida como suporte. Muitos desses nomes ainda estão no mercado. Mylon e Loop estão agora na paiN Gaming e são peças fundamentais para o time. “Com aquela equipe a gente começou a ganhar o Go4LoL e todos os outros campeonatos”, lembra Edu.

De lá pra cá, muita coisa mudou, mas não a visão de sempre ir atrás de “times dos sonhos”. Tanto que a equipe foi uma das primeiras no mundo a começar importando jogadores da Coreia do Sul.

“Fomos os primeiros no mundo a importar jogadores sul-coreanos. A gente que lançou essa moda trazendo Suno e Winged, e a China depois copiou”, afirmou Edu. André lembra de como foi que surgiu a oportunidades de trazer jogadores de lá. “A ideia antes de trazer Suno e Winged era fazer um dream team brasileiro, mas acabou não dando certo”, diz.

An “SuNo” Sun-ho e Park “Winged” Tae Jin chegaram no Brasil dominando tudo. SuNo era um jogador da rota do meio, enquanto Winged era um caçador e, nessa época, por volta de 2014, as duas posições eram as que mais careciam de bons jogadores livres no cenário nacional.

Keyd Stars em 2014 com os sul-coreanos Suno e Winged

“A gente trouxe o brTT [Felipe Gonçalves] e já tínhamos o Loop e o Mylon e faltavam ainda o mid e o jungler. Tentamos [contratar] os melhores da época, só que não deu certo. E aí, em uma mesa de bar conversando, pensamos ‘Não deu certo. E o que vamos fazer?’ aí alguém disse, ‘por que não contratamos alguém da Europa?’. Edu interveio e disse “Já que é pra fazer isso, porque não contratar coreanos?”.

O fato dos jogadores e equipe técnica não falarem coreano poderia ser um complicador, mas André levantou um ponto muito importante. “Como o Edu fala coreano, a integração do time não ia ser tão complicada como foi com outros times que mais tarde também trouxeram jogadores de lá, tendo que falar em inglês”.

Esse sempre foi o diferencial da Keyd, tentar ter os melhores jogadores do cenário brasileiro, meio que ‘na marra’. “A gente sempre tentou montar o melhor time, que vestia a camisa da Keyd“, conta André. “Acho que mesmo a gente não ter conseguido dar o último passo, acredito que tudo o que fizemos foi certo. Sempre tentamos aumentar nossas possibilidades de ganhar o campeonato ao máximo. Sendo com jogadores, com comissão técnica ou a estrutura. Se a gente não deu o último passo ainda acho que o que faltou foi a ‘sorte do campeão'”, completa.

E não apenas no League of Legends, mas também no Counter-Strike. Quando rolaram investimentos da Keyd no jogo de tiro, também foi em busca de conquistas. “A Keyd é o único time brasileiro a ser Legends”, se gaba Edu. A Keyd patrocinou a equipe de Gabriel “Fallen” Toledo a disputar a IEM Katowice de 2015. Hoje, os jogadores daquela equipe estão entre os melhores no game de tiro da Valve.

Equipe de Counter-Strike patrocinada pela Keyd em 2015 com Gabriel ‘Fallen’ Toledo

Pressão no CBLoL

Voltando ao assunto em voga, a Keyd tem sofrido críticas não só dos analistas aqui da ESPN, como também dos fãs. Olhando para as redes sociais da organização, percebemos que existe muita reclamação e pouco apoio. Pergunto se os torcedores do time gostam de “fazer um hate” e Edu é categórico. “Gostam sim porque são mimados”.

“A gente chega sempre como favorito, sempre estamos nos playoffs e até falaram ‘imagina como seria ver os playoffs [do CBLoL] sem a Keyd‘, sempre temos jogadores com nomes muito fortes, line-ups de estrelas, então por conta disso que eu falo que o torcedor da Keyd é mimado. E quando a pessoa mimada não tem o que quer, que é o título, ela fala bosta, reclama e não fica contente. Mas é até bom a cobrança de torcedores”, explica.

Nessa temporada, a Keyd formou mais um time forte e muitos analistas do CBLoL chegaram dizendo que era uma equipe de estrelas. Revolta, Yang, Murilo “Takeshi” Alves, André “esA” Pavezzi e Pedro “Ziriguidun” Villarinho formam o novo time. Mas não apenas isso, nesse ano a Keyd também investiu em uma comissão técnica muito forte, com Thiago“Djokovic” Maia, ex-CNB, vice-campeã de 2016, e Lorenzo Jung, ex-INTZ, a campeã brasileira que nos representou no Mundial do ano passado.

Sem falar da última adição do time, Alexander “Abaxial” Haibel, que chegoun ao time na última quinta-feira, para ajudar na preparação para a semifinal contra a INTZ, que acontecerá no próximo sábado (25). Abaxial foi a voz de comando entre os Intrépidos durante 2016, ano que a equipe conseguiu abocanhar quase tudo no cenário nacional. Mas não foram raras as vezes que ele foi deixado de lado nos picks e bans.

Adaptações são sempre demoradas e varia de equipe para equipe – e no caso da Keyd, esse foi um dos pontos mais perceptíveis. Entretanto, isso era esperado, diz André. “O time que a gente montou agora não foi pensando no primeiro split e nem só para esse ano, mas para trabalhar a longo prazo, visando agora, o meio do caminho e também lá na frente”.

“Todos os jogadores têm contratos longos de três anos e vão ficar aqui bastante tempo, e o nosso foco é trabalhar esse time para crescer cada vez mais e não só pra ganhar tudo aqui no Brasil, mas também ser competitivo lá fora”, explica.

Ele continua dizendo “[A formação dessa equipe] elevou a expectativa das pessoas em relação à nós. Mas desde o começo, quando juntamos todo mundo e começamos a treinar, nós sabíamos que tínhamos que crescer bastante e que as peças ainda estavam se encaixando. O hype foi criado pelos nomes que juntamos, Revolta e Yang vieram de um time que estava ganhando tudo, o esA que foi considerado o melhor atirador do ano passado”.

Edu concorda e completa a linha de raciocino de André. “Os jogadores sentiram sim muita pressão porque o resultado não veio como a gente esperava. Se a gente estivesse ganhando tudo, como todos pensavam que ia ser pelo time que estava no papel, não teria essa pressão. Mas como o resultado não estava vindo e no nosso jogo dava pra perceber que estávamos jogando mal mesmo. Era visível. Por causa desses resultados que a pressão bateu mais forte”.

Falando das estrelas contratadas nesse ano, André lembra que esta é a quarta vez que Revolta vem para o time. “Descobrimos ele, depois ele foi para a CNB, veio para nós, aí ele foi para a INTZ duas vezes. Mas não só o Revolta. Todos os jogadores que passaram por aqui mantêm uma relação boa com a gente. Eu e o Edu sempre fomos próximos dos jogadores, estamos sempre aqui e isso foi desde o começo, e a gente faz tudo certo”.

Passado esse início conturbado, a Keyd respira mais aliviada agora que está indo para as semi-finais. “Foi até bom a gente passar por esse perrengue no começo, pois agora a gente está em um crescente. Nos times anteriores, a Keyd sempre chegou em primeiro lugar na fase de grupos e chegava lá na final e que sempre mostrava que faltava um detalhe e nós falhávamos”.

Sobre o confronto desse sábado, Edu reflete como é cair contra a INTZ, o time que mais mostrou evolução nessa etapa. “Acho que dentre todos os times que passaram, a INTZ é que tem os jogadores mais inexperientes para a fase de playoffs com o Ayel [Marcelo Melo], o Envy [Bruno Farias] e até mesmo o Turtle [Gabriel Peixoto], que jogou apenas um playoff”.

Keyd enfrentará a INTZ na semifinal do CBLoL 2017

Insistindo no sonho

Antes de ter esse time forte e com as duas estrelas maiores do CBLoL do ano passado, a Keyd tentava ir para outro caminho, que era fortalecer a equipe mecanicamente – e nada melhor do que jogar contra os melhores jogadores do mundo. Foi então que o time, que até então era formado por Leonardo “Robo” Souza, Carlos “Nappon” Rucker, Takeshi e esA, embarcou para a Coreia do Sul para fazer o maior treinamento intensivo de um time brasileiro no exterior.

Foram três meses na terra dos tricampeões mundiais, a SKT T1, jogando diariamente com estrelas como Lee “Faker” Sang-hyeok e Song “Smeb” Kyung-ho. Mas, no final das contas, os planos mudaram. Com a chegada de Revolta e Yang, Robo e Nappon ficaram disponíveis para outras equipes e quem abraçou os dois foi ninguém menos do que a Red Canids, um dos times mais fortes dessa temporada do CBLoL. Ou seja, esse treinamento dos dois jogaores foi um presente de mão beijada para os Lobos?

“[Antes de ir para o bootcamp] a gente não planejava trocar a line-up”, conta Eduardo. “Mas, no final das contas, por mais que tenha sido bom para eles, foi melhor para nós por que fomos buscar algo que não tínhamos antes. A gente sempre bateu na trave. E por que isso? Porque os resultados são definidos nos detalhes. E nós fomos atrás desse detalhe na Coreia”.

Para Eduardo, a troca foi boa e a experiência na Coreia do Sul também foi proveitosa. “O Takeshi e o esA ainda estão com a gente e trouxemos os dois maiores nomes do cenário do CBLoL. São pessoas que jogam muito bem. Não apenas por ter uma qualidade de jogo muito alta, mas porque conseguem decidir, e eles têm esse detalhe [que procurávamos]”, explica.

Keyd durante partida no CBLoL 2017, com Takeshi ao centro

André também pensa dessa forma e diz que “o bootcamp na Coreia era uma preparação para esse ano. Íamos trazer um ou dois jogadores de lá e preparar o time para agora. Só que, no meio do caminho, apareceu a oportunidade de contratar o Revolta e o Yang. Escolher entre os dois melhores jogadores do país, que falam a mesma língua que todos os outros jogadores, e nossos planos originais, é claro que você vai repensar tudo. E não foi [investimento] perdido, porque o Takeshi e o esA ainda estão aí, aprenderam muita coisa lá, sem falar dos contatos com os times que ficam abertos quando a gente for novamente”.

Mas uma coisa continua na minha cabeça. Como um time que tem tudo para ser vencedor, com os melhores jogadores, nunca conseguiu levantar a taça da segunda etapa do CBLoL – e com isso nos representar no mundial? Existe um brilho no olhar dos donos do clube e ficou claro que, mais do que todos os jogadores que contrataram, são eles mesmos que querem essa taça.

André vai além e diz que o que a Keyd faz é mais do que ter um time comercialmente viável. “O que fez a gente crescer é que vemos isso como mais do que um negócio. É a nossa paixão. A gente faz várias loucuras porque queremos investir no eSport, não só no LoL. Investimos muito no CS, por exemplo, porque a gente gosta do game e quer ver o Brasil ser bem representado. Por exemplo, quando pegamos o time do Fallen para ir para Katowice, foi uma loucura, mas mostra que a gente está tentando ser o primeiro a fazer alguma coisa e não seguir o que os outros estão fazendo”.

Vamos ver se os planos da Keyd vão mesmo se concretizar. O próximo passo será garantir a vaga para a final do CBLoL neste sábado (25). Se não, eles ainda terão mais algumas oportunidades de deixarem de ter o time dos sonhos e se tornar um time campeão.

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